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Abacus aproveita cenário do dólar para levar investidores brasileiros aos EUA

A queda na taxa básica de juros, a forte instabilidade política e a alta recente do dólar têm aberto espaço no Brasil para um movimento que se tornou comum em outros países da América Latina, como Peru, Chile e Colômbia, ao longo da última década, mas ainda não havia chegado com força ao país. Trata-se da transferência de recursos de famílias ricas, mas não multimilionárias, para países tidos como mais seguros, como os Estados Unidos.

Sem a mesma rentabilidade de outrora em fundos de renda fixa, e com a forte volatilidade na B3, esses investidores têm buscado alternativas, diz Mauro Ferman, CEO da gestora de investimentos Abacus Capital Advisors, fundada no ano passado, justamente para aproveitar a tendência de migração de recursos. “Países da América Latina onde os juros são baixos há mais tempo, já têm muito dinheiro aqui. Agora, muitos brasileiros começam a investir também”, conta.

As recentes altas do dólar, em particular, têm tornado o movimento mais atrativo. Para Ferman, acertar o câmbio é tarefa muito difícil. Mas, em sua visão, há alguns elementos claros levando a desvalorização do real, que serão difíceis de eliminar com toda a instabilidade política em Brasília e a perspectiva de eleições presidenciais em 2022. “Se o Brasil não fizer reformas, privatizações e cortar gastos, a tendência é dólar para cima”, diz. 

Mesmo com o pacote de auxílio trilionário aprovado pelo governo americano, que tende a desvalorizar o dólar, hoje a situação aponta mais para a moeda americana a R$ 7 que a R$ 4, diz. “As moedas de vizinhos brasileiros já valorizaram 20%, em média, desde a baixa maior, no auge da Covid, em março de 2020. O real, não. Imaginar que o dólar vai continuar se enfraquecendo, não faz sentido. No Brasil, se tudo der certo, deve voltar a R$ 5”, avalia.

Lá e cá

Apesar de a Abacus ser uma boutique de wealth investment jovem, Ferman fala com base em conversas com investidores e em uma experiência de mais de duas décadas nos mercados financeiro americano e brasileiro. Paulistano, filho de pernambucanos, formou-se nos Estados Unidos e iniciou a carreira na área de fusões e aquisições do Morgan Stanley, nos anos 2000. Passou depois por fundos de private equity antes de voltar ao Brasil, em 2010, e atuar em bancos como Santander e BTG Pactual. Em 2018, conta, voltou aos Estados Unidos para assumir posição de um multi family office com mais de US$ 10 bilhões sob administração. E foi então que percebeu a oportunidade para montar a própria gestora.

“Notei que essas famílias, que tinham tíquetes de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões, vinham de grandes bancos com carteiras péssimas. Então, pensei, se um grande banco faz isso com um cliente de US$ 300 milhões, imagine o que não oferece para um investidor pequeno”, conta Ferman. Como o family office não tinha clientes brasileiros, e ele queria crescer no país, decidiu sair, no começo de 2020, para montar a Abacus e atender não só brasileiros, mas também clientes menores, mas com serviço de gestão de portfólio desenhado mais de acordo com o perfil de cada clientes e “custo interessante”, afirma.

No modelo de negócios da Abacus, o patrimônio dos clientes é distribuído principalmente em títulos de renda fixa de cerca de 100 grandes empresas americanas, entre as quais nomes como Boeing, Metlife e GE. É para onde vão entre 80% e 90% do volume total, conta. O restante é investido em um conjunto de 15 a 20 nomes de ações, que Ferman acompanha há anos, ou em ações indicadas pelos próprios clientes, afirma. 

“Não usamos fundos de investimento, o que significa que o cliente não precisa pagar essas taxas, e eu não tenho a custódia. O patrimônio fica no nome do cliente, no banco dele ou na Interactive Brokers – corretora indicada pela Abacus. Ele pode encerrar o relacionamento com um e-mail. Não precisa fazer resgate ou transferência, nem nada”, diz o gestor.

A taxa cobrada pela Abacus dos clientes é de 0,60% a 0,85% ao ano, sobre o patrimônio total, dependendo do tamanho do cliente. Em média, o público alvo são famílias ou empresas interessadas em investir entre US$ 300 mil e US$ 15 milhões lá fora, diz Ferman. Com esse modelo, afirma, é possível ganhar pelo menos entre 6% a 8% ao ano, em dólares, com alto grau de confiança, e sem o inconveniente da variação cambial. “Mas, neste ano, nossa rentabilidade foi muito maior. Tivemos retorno de 47%, em doze meses”, diz.

Em cerca de um ano de operação, o gestor conta que já tem doze clientes e cerca de US$ 50 milhões em ativos administrados, de clientes no Brasil, na Europa e nos EUA. A meta agora, diz, é crescer até chegar a 40 clientes, ou a cerca de US$ 200 milhões sob gestão, e manter o patamar, para não comprometer a qualidade do serviço. No Brasil, para acelerar os negócios, o gestor está atualmente em busca de um profissional para a área comercial.

Negócios em campo

Nos Estados Unidos, um dos principais nichos que a Abacus está explorando é o de jogadores de futebol americano. Um dos três clientes do ramo que tem hoje, conta Ferman, ganhou um Super Bowl ao lado de Tom Brady, o astro do esporte casado com a modelo brasileira Gisele Bündchen. “Tive sorte de cair nesse mundo com alguns conhecidos”, diz.

A história começou com um atleta e ex-vizinho de prédio, em Fort Lauderdale, “que estava sendo muito mal atendido” na área. “Ele estava procurando alguém para substituir o adviser que tinha, veio falar comigo e ficou muito feliz com o nosso modelo, o retorno e os baixo custos. E começou a nos indicar vários jogadores”, afirma Ferman, que mais recentemente contratou um ex-jogador do Baltimore Ravens para ampliar a carteira de clientes atletas.

Imagem: Reprodução

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